terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Delícia de viver


Moça das pernas grossas
envolve meu corpo
me tira do sério.

Passa esses cabelos negros
pra trás
enquanto o beijo
se enrosca.

Me dá bola
que eu fico louco
só de pensar
que isso possa
não acontecer.

E agora.


E ali estava ela,
parando seu carro em frente
ao meu,
delizando seus olhinhos navegantes
nas ondas dos meus.

Novamente ela se retrata em gestos
e diz que talvez me queira
por perto,
pra tornar suas noites
mais tranquilas.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Desaforismos e outros ismos


Existem palavras
e existe tudo igual
existem aforismos
existe o Karl Kraus
existem histórias
e existe Lulu pra entender
existe um bolo na garganta
“tem certas coisas que não sei dizer”
existe o silêncio
onde existe uma fera
e existe o domador
de sobrenome Kundera
existe o tal do poema
que existe sem existir
e existe Maiakóvsky
pra chegarmos sem mesmo ir
existe o tempo
onde existe a prosa
como sentado num bar
existe Guimarães Rosa
existe cego o romance
dentro do que chamamos arte
existe o que é bom
e existe Roland Barthes
existe a análise
de todo discurso vago
e existe um desaforo
mal chamado Paniago.

A identidade de um homem só


Escondo seu quadro
na parede do quarto
já não su-porta-retrato
meu coração descascado.
Não que sobrem espaços
mas essa coisa de laço
vai me dando cansaço
e você vai virando sarcasmo.

Estou morrendo de preguiça do amor.

A Capital Federal


Chega de cabelos soltos,
mesmo sendo triste o agora
ela conseguiu ainda
vestir o seu melhor sorriso
e caminhou.

Caminhou pelas entre-quadras
dando asas ao avião,
mudou seus poucos planos,
deixando o piloto sem direção.

Se ela se apegasse à Brasília
era bem possível
que envelhecessemos juntos.
Mas nada do que faço ou digo,
faz mudar sua contra-mão.

Sabida





Coisa errada
ouro de tolo.

Eu te amo como quem ama um porco rosa e voador.

Pra se viver mais


Não entendo essa tua ânsia em se fazer de louca,
isso tá te deixando tonta,
tá fazendo você se perder.
Acho que você já passou da conta,
acho que você se lembra,
do livro que comprei na tua frente,
dos segredos que contei à tua fronte
e das tuas próprias obras,
aonde foi que tudo isso se perdeu?
Não, não me venha com essa cara de sonsa,
a conversa é séria,
quero que você me ouça,
você nunca foi de gostar de sobras,
deixa desse fuzuê,
deixa dessa bobagem,
que esses corpos não te informam nada,
vai seguir o teu caminho,
você já fez sua própria casa,
não precisa da sombra de ninguém.
Escuta quem te quer bem.
Coloca os teus desejos no lugar.
Qualquer coisa estarei aqui, pode me ligar.